A revisão da lógica de cobrança que aconteceu no lugar errado
Doze perguntas ainda estavam em aberto num plano, e a gente tinha criado uma ferramenta para que a pessoa que o revisava não precisasse responder num comentário do ticket. Mesmo assim, ela respondeu a maioria das mais importantes num comentário do ticket.
Uma revisão que precisava acontecer
Estávamos entrando numa grande reformulação, com lógica de dinheiro de verdade em jogo. O plano tinha quatro níveis de decisões, e o nível mais arriscado ficou travado até uma pessoa revisora aprovar, de propósito. Uma decisão errada ali faria mais do que mudar a aparência de alguma coisa. Mudaria o valor cobrado dos clientes.
Para facilitar a revisão, criamos uma ferramenta que organizava o plano por nível e conduzia a pessoa pelas perguntas em aberto, em ordem. Também apontamos direto para ela num comentário do ticket. A ideia era simples: ler, responder às perguntas agrupadas e liberar o nível seguinte.
As respostas apareceram em outro lugar
O colega que revisava o plano respondeu corretamente às perguntas de maior risco. Isso incluiu uma contradição real escondida no briefing, que poderia ter ido para qualquer lado. Só que a resposta veio direto no ticket, e não dentro da ferramenta.
Nada na ferramenta impediu ninguém. Não houve erro, nem botão faltando, nem layout confuso. A revisão estava acontecendo. Só que no ticket, e não no lugar que tínhamos construído para ela.
Duas formas de errar
Podíamos ter continuado apontando para a ferramenta. Isso manteria nosso registro organizado, mas faria o andamento depender de alguém mudar um hábito que já funcionava para essa pessoa.
Ou podíamos ter refeito a ferramenta até ficar mais fácil do que responder a um comentário. Era tentador justamente porque fomos nós que fizemos a primeira versão. Mas isso resolveria um problema que não existia. A interface não era o obstáculo. A pessoa tinha escolhido o canal com menos atrito, e uma interface melhor não conserta um canal que nunca esteve quebrado.
Então copiamos as perguntas que restavam, incluindo a contradição já identificada, para um comentário novo e pedimos as respostas ali. Os quatro níveis e a trava continuaram. A exigência de usar a nossa ferramenta, não.
Para que a ferramenta ainda serviu
A ferramenta não foi esforço perdido. Organizar o plano em quatro níveis com uma trava explícita foi o que nos fez perceber rápido que as decisões de verdade já estavam sendo tomadas em outro lugar. Sem essa estrutura, a revisão seria uma conversa mais solta, sem noção clara do que ainda estava em aberto.
Onde a IA ajudou e onde parou
Um agente de IA consegue apontar com segurança a divergência: aqui o processo diz que a decisão deveria acontecer, aqui ela está de fato acontecendo, e isto é o que se perderia se você olhasse só um dos lugares. Ele também consegue levar a estrutura pendente, os níveis e a contradição identificada, para o canal que realmente está em uso.
Decidir abrir mão de uma trava obrigatória num trabalho que envolve dinheiro não é uma escolha para entregar a uma ferramenta. Essa decisão ficou com uma pessoa, assim como confirmar que a contradição foi resolvida do jeito certo, e não apenas respondida em algum lugar.
O que mantivemos
Quando alguém contorna uma ferramenta que você criou para essa pessoa, ela está dizendo algo sobre a ferramenta. Mantenha o que a ferramenta protegia, a lista de decisões, a trava, o risco identificado, e abra mão da exigência de usar uma interface específica, se essa for a única parte de que ninguém precisava.